5 de janeiro de 2017

Aquela brisa que percorre cada fio do teu cabelo, que te arrefece as orelhas e te ultrapassa. Não me visita há algum tempo. Tarda a sua vinda e eu sou incapaz de espreitar a sua chegada. Vou-me enrugando debaixo deste céu, sabendo que não poderei fazê-lo por muito mais tempo. Será assim tão diferente? Não acordar em cima da mesma cama, preparar o pequeno almoço e tomá-lo olhando para a janela. Tardar-me no tempo e o tempo em mim. A verdade é que uma parte de mim se enche de vontade e ânsia mas a outra... a outra repele-se quando pensa nesta aventura.
Breve, brevemente.
Assusta como nunca nada assustou até hoje. Sinto-me tão pequenina. Frágil. Com um peso em cima de mim que nem eu consigo aguentar. Mas o que eu penso quase ou nunca se comprova. Acabo sempre por carregar pesos mais pesados do que eu mesma e chego ao final da estrada, sorrindo. Mas a estrada, agora, não é minha. Não vou conhecer as coordenadas. Não vou saber o nome das ruas. Vou ter de me habituar a andar perdida no metro e a viajar de pé com um computador atrás de mim. Vou escrever. Vou aprender. Vou fazer tantas coisas das quais sempre sonhei. Vou trabalhar para ter aquela carteira na minha mão. Aquela que em tantas noites me abordou em sonhos. A carteira profissional de jornalista.
Mas longe de casa, vai doer. Já dói. Dói cada vez que procuro um apartamento. Dói quando tomo consciência que irei depender de mim e só de mim mesma. 
E a capital... Oh, essa, é tão grande. Tão longínqua. 
Tão cheia de oportunidades. De pessoas. De escrita. De matéria-prima. 
De Jornalismo.
De histórias prontas a serem passadas a limpo.
Por mim.
Falta pouco. Tão pouco. 
Até já!

Sem comentários:

Enviar um comentário