3 de março de 2016

Entrelinhas de dissabores que vais entendendo a cada sílaba. Sintaxe que se desmorona quando não a elogias. Guerras abertas pela melhor frase de cada parágrafo, quando ambos sabemos que eu quero a pés juntos que as armas estejam apontadas somente para os parágrafos ímpares. Parágrafos ímpares que se vão somando a cada anseio meu. Parágrafos esses que declamo com orgulho, colocando a voz naquelas nuvens que um dia eu disse que não iria alcançar. Entrelinhas encarnadas numa melodia que mais do que nossa, é minha. Intrínseco a mim é o teu ser, como se nós fossemos a rima perfeita e impossível de esquecer. Sou amante de poesia sem a conseguir escrever. Embalo-me no enleio do teu silêncio, aquele que dois corpos partilham e somente suportam se, para além do silêncio, partilharem algo mais. Um algo mais que não se adjetiva, que de verbos é feito como se fosse linhas a cruzarem-se no infinito. Somos findos e filhos da incerteza, como se o amanhã fosse as cortinas do palco em que representas para mim. Telespectadora atenta, numa inversão de papéis. Audiência que te chega, que te enche as veias e te incentiva a expelir suor. Sou eu e tu sabes quem eu sou. És tu e sempre soube quem tu eras. As minhas entrelinhas que ainda hoje interpretas são o tanto do que eu guardo de ti. Em mim. 
Um tanto sem medida, tamanho de uma vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário