7 de abril de 2015

São geladas as brisas que me abraçam aquando da ausência do ar sereno que expiravas. Moviam-se montanhas em torno do nosso vale para acariciarem com ternura o afeto que expelíamos pelos nossos poros. Repletos de paixão, inundavam-se numa mistura quente de ambos os suores. Pele com pele, era o silêncio que mais prazer me dava. Permaneço inerte em busca de ti, não tendo força nos membros para te agarrar como quando o fazia cada vez que partilhávamos a nossa própria melodia. Tínhamos uma, tão nossa, e nunca te cheguei a confessar. Em alguns momentos, a vida encarrega-se de nos alertar para a necessidade da espera. Da contenção. Aí, embora sob sombras, somos capazes de nos aperceber de que, às vezes, nada mais podemos fazer. É tanto o que queremos, tanto mais o que ansiamos. É imensa a vontade no entanto, por muitas horas que caminhes, nunca chegarás ao teu destino. Como se quisesses alcançar algo que foge de ti a cada segundo. Das duas escolhas possíveis, resta uma só decisão que te atira contra a parede, rasgando-te por dentro. Ou corres o dobro ou esperas que o rumo desse algo mude de direção, rumo a ti. Desse algo... ou alguém.
Espero que a ferida sare e a dor acalme. Dou por mim a pedir à lua para que o sol me sorria no dia seguinte. Pela minha cabeça, surgem mais planos de futuro do que aqueles que tinha sonhado durante toda a minha vida e, para todos eles, arranjo um final risonho. Mas nunca depende só de nós próprios. Nunca uma vontade imensa chega para arrastar para longe todas as inseguranças e medos criados que não nos pertencem. Vestes a pele do pólo oposto e imaginas-te a tentar adormecer à noite. Sabes que nunca dependerá só de ti. Nem que corras com a velocidade da luz, nunca voltarás a abraçar um corpo que não quer ser abraçado por ti. Ainda assim, sabes que algo de ti é dele também. Que algo dele é tão teu como tu própria. Ainda assim, por muitas lágrimas que te percorram o pescoço, guardas dentro de ti a certeza. 
A certeza... Nunca antes algo havia tido tanta importância para mim. A certeza de que guardo em mim a felicidade que procuramos durante uma vida. A certeza da vontade de correr rumos infinitos à tua procura. A certeza de que o amor é demasiado raro, esporádico até, Só há um. 
A certeza de que esse amor será o resto da minha vida, mesmo que não tenha um final feliz.

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