20 de fevereiro de 2015

Não tenho chão suficiente que albergue todos os meus medos e angústias. Não tenho estrelas que cheguem para os meus sonhos. Incontestável monstro ambicioso e impaciente, este que me apodera quando não estás. Ah! E o que eu não dava para que estivesses aqui. Não me sinto viva se não respirar o ar que expiras. Se não adormecer a brincar com a tua orelha. Se não acordar com o cabelo cheio de nós. Ainda assim, são mais os nós que me prendem aqui. É nestas pausas tranquilas que me roubam da realidade, que me pergunto se vivo para estar contente. Não sou instável, sou inconformista. Não me chega o suficiente, vivo no abismo e anseio limites. Estou demasiado confortável para ser feliz, penso que nunca me sentirei completamente realizada. Ainda assim, gosto de tudo aquilo que o mundo tem medo. Coloco de parte o conforto em prol da aventura. Do mágico. De tudo aquilo que ninguém teve.
Eu tenho. E todos os dias sinto-o como se fossem grãos de areia a fugirem com o vento. Eu, parada, presa a conformismos que não me alimentam a alma, observo aterrorizada. Não tenho medo de ir, tenho pavor de ficar. De braços cruzados a viver uma vida que não me enche por completo. 
Se me perguntarem pelos futuros arrependimentos respondo que um dos maiores erros do ser humano é não ser fiel a si mesmo. Planear um futuro e esperar que o destino se encarregue de o concretizar. Querer tudo, lutar pelo mínimo. 
O suficiente não nasceu para me agarrar.  

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