22 de fevereiro de 2015

Fugiram para longe os serões em que te suplicava uma remuneração leve daquilo que guardava de ti. Pedia em segredo que adivinhasses cada sílaba dos meus rascunhos, que as ordenasses e contemplasses o tamanho gigante do quadro que pintava. Não tinhas como saber que em mim moravam estes jardins intermináveis que tanto precisavam de ti, como se a primavera acontecesse quando da tua boca escorriam versos para mim. Em sussurros impercetíveis chamava a tua atenção, já que sonhar sem ti magoa e os sonhos se diluem a cada ausência. Não findavam as horas em que esculpia o teu rosto em palavras já amarrotadas pelo tempo. Pedia tanto sem que tu soubesses, sem que tu me desses ou pudesses dar um bocadinho daquele teu céu estrelado para poder sonhar. Hoje é nada o que te peço. Vivo nesse céu, com o teu braço debaixo da minha cabeça e as tuas pernas entrelaçadas nas minhas. Tenho tudo o que sempre te quis pedir, sem nunca te ter pedido.
No entanto, há algo mais... um pedido a mais.
Desenleias-me?

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