4 de janeiro de 2015

É longa a estrada que me separa de ti. Honestamente, não sei onde estou. Se vivo neste vazio que me albergou a vida toda ou se, pelo contrário, me levaste contigo. Perguntaste-me como me sentia e respondi-te que estava desenquadrada. Não sinto as mãos nem os pés, como se os meus dedos escrevessem constantemente para ti e os meus pés, esses, tivessem fugido por aí, à tua procura. Tenho as costas frias, falta-me o teu abraço. Assim como faltam os teus dedos nos meus fios de cabelo, a criarem sem saberem nós intermináveis. Falta tanto em mim desde a tua partida, tanto. No entanto, proporcionaste-me o que sonhei durante uma vida. Sabes do que falo, não sabes? Tenho o meu sonho na minha mão, concretizado. Concretizado mas ainda embrulhado, como se as costuras rebentassem quando sinto a tua presença. É do teu calor que sinto mais falta. 
Já sinto o meu sonho a fervilhar nos meus dedos.
Prometo desembrulhá-lo quando voltares.
Só quando voltares.
Para ficar.
Aguentamos, não aguentamos?

Sem comentários:

Enviar um comentário