1 de dezembro de 2014

Gostava que soubesses o quão parecida sou contigo

Sei que nada me resta para além destas palavras.
Dóis-me. Tanto tempo depois, continuas a doer-me como no dia em que disseste adeus. Não me esqueço. Terei eu trinta e cinco anos e uma mágoa enorme no coração por te ter deixado partir, por ter sido obrigada a fazê-lo. Não te entendo e disse-to naquela tarde de Maio. O meu mês, o meu dia. Tu sabias... porquê arruiná-lo com palavras não sentidas, não vividas, temidas... Sente-las?
Dóis-me. Irás continuar a doer-me como se a ferida não sarasse. Não irás morrer para mim, porque há laços e nós cegos. Quiseste desfazê-lo, eu sei. Ainda não deixei. Ainda não te quero deixar perdido, sem rumo, sem mim. Sei que irias ficar rendido à solidão e sei também que, quando a praia ficar vazia, vais correr para mim. Consigo ver-me de braços abertos, à tua espera. Não foi assim que aconteceu há sete meses atrás?
Dóis-me. Não pelo que és, mas pelo que te tornaste. Pela forma voraz com que a minha sanidade devoraste. Sinto a tua falta a cada pequeno-almoço... lembras-te das torradas em forma de coração? Mal eu sabia que mo irias roubar. Dos almoços requintados com ovos e batatas fritas, das tardes de Scrabble, dos serões de Toy Story. Já não estás. Sinto falta de alguém que me ouça. Da mão grande no meu rosto. Do abraço apertado. Do colo afável. Consigo imaginar-me no teu colo. Cresci, mas sou pequenina o suficiente para continuar a precisar de ti. Do teu afeto. Do teu sim, do teu não. Das tuas histórias. Das tuas boas memórias. Preciso de mim em ti.
Dóis-me. Por continuar sem saber se ainda me amas...
...como é suposto amar-se alguém assim, com o mesmo tipo sanguíneo, com o mesmo apelido... Com o mesmo feitio.
Gostava que soubesses o quão parecida sou contigo...

Vou andar de bicicleta...
... afinal foste tu que me ensinaste. 
Ainda tenho um bocadinho de ti em mim.

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