28 de novembro de 2014

Perco-me em ti. És um labirinto de incógnitas, incertezas e receios que faz com que o meu corpo gele quando os teus dedos sonham tocar os meus. És a loucura que eu quero cometer. És tanto por decifrar sem tempo a perder. 
Errei no momento em que o meu devaneio me obrigou a pousar a esferográfica no canto da janela. Vidros embaciados que não me proporcionavam qualquer tipo de inspiração, refúgio que virou castigo. Fechei-me em mim desconhecendo que posso ser tão cinzenta quanto o céu naquela tarde de outono. Eu, logo eu, a explosão de contentamento que afeta qualquer um dos demais. Escondi-me de ti, no enleio da voz irracional que me iluminou outro rumo diferente do teu. Corri nesses trilhos, segurei-me em corrimões enferrujados que me entediaram a alma, perdi-me sozinha em noites escuras. Sem vozes. Sem sombras. Sem ti. Em nenhum momento me devolvi ao esquecimento. Em momento algum te esqueci. Soavas ao meu ouvido numa melodia que me projetava para longe. Longe de tudo, longe de mim. Longe do que um dia eu quis. Visões desfocadas, imaturas, precipitadas. Incorretas. Errôneas. 
Hoje brilha o sol, brilhas tu quando ele me falta. Vejo o alcatrão da estrada até ao mínimo pormenor. Temo o precipício, temo pontos finais. Sigo sem venda alguma. 
E se algum dia eu cair,
se algum dia a estrada me levar para longe,
não te esqueças que o mundo é uma bola de sabão.

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